BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Cinema e vídeo, Livros

 

   

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Me, Myself And I



Eu acredito...

 

que o Brasil é o país do futuro.

em contos de fadas.

na paz mundial.

no amor eterno.

no valor da idéia

na amizade sem interesse.

no espírito de natal.

que um negro pode ser presidente da república – seja ela qual for.

que o Jim Morrison não morreu. Nem o Elvis. Tão pouco a Janis.

na pureza das respostas das crianças.

no sistema da política “para todos”.

que o Michael Jackson é inocente.

no apocalipse.

que comer manga com leite faz mal.

em Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

que estamos todos ligados de alguma forma.

que você me ama. E sempre vai amar.

na minha capacidade de superação – e poder de irritar as pessoas.

que eu e a Ju Galinha vamos passear com os nossos filhos.

na mula sem cabeça.

que girafas não existem.

em estrela cadente.

no poder do pensamento.

que nesta terra, em se plantando, tudo dá. (SIC)

no número sete.

que o mundo gira e a Lusitana roda.

que São Jorge mora na lua. Salve Jorge!

na compaixão.

no perdão.

em déjà vu.

que nem as facas GINSU desfiam as meias VIVARINAS.

que eu nunca vou perder meus pais.

num mundo melhor.

em você...sempre.

 

Saudades de todos, de tantos, de várias formas.

Sentiu? Estou bem pertinho de você, neste exato momento.

 

Beijo. Adri

 

Música - Tears For Fears - Everybody Wants To Rule The World



Escrito por Drikaninha às 23:52
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Eu sou eu e você numa mesma ação

 

As pessoas mudam ou elas simplesmente adquirem várias formas – se adequam ao cenário, por assim dizer? Quando a gente deixa de ser quem a gente é? E se de repente nos damos conta de que não somos mais aquela pessoa que aparece no RG? Quando, afinal, perdemos a identidade?

 

Máscaras, mudanças, tipos, poses, fakes, guetos, biotipos, grupos, rodas, panelas... As pessoas são o que são ou somos nós que criamos expectativas demais? Como, por exemplo, sair da saia justa frente à cara de espanto daquela gerente que ouviu você dizendo um sonoro: vai se foder? É ela que não te conhece ou você que não se deixou conhecer? Fica evidente, então, que nós criamos várias personagens ao longo da nossa trajetória?

 

Seria correto afirmar - num raciocínio lógico onde dois e dois são quatro - que pessoas não possuem idéias próprias? Ou ainda que para cada situação que vivemos sacamos de uma máscara apropriada, da carapuça que nos serve, abrimos na mente o enorme HD com respostas prontas e trechos de livros e adaptamos como se fossem idéias nossas?

 

Não, não me diga que você nunca fez isso. E aposto que nem usou no começo da frase a expressão: como diz o meu amigo...

 

E se agente reparar no círculo lúdico do carrossel onde todos os cavalos estão virados para o mesmo lado e seguem o mesmo fluxo, percebemos que cada um tem a sua cor. Sua marca. Seu momento. Não somos iguais, mas, somos a soma das pessoas, de fatos e de momentos que, um dia, mesmo que por um milésimo de segundo passaram por nós. E deixaram marcas.

 

Já tive a doce ilusão de achar que muitos pensamentos e atos eram meus. Ainda bem que os anos passam e a gente vai criando vergonha na cara para admitir certas coisas. Estou numa fase de evidenciar os meus erros, rir da própria cara e de me dar ao luxo de usar todas as máscaras que eu quero, aonde eu quero da forma que eu bem entender. Quero ser várias, quero ser todas e tudo ao mesmo tempo. Multifacetada.

 

Deve ser influência do ciclo, mais um que está quase terminando para começar outro. Vou comemorar o fato de ser a cara da mãe, o nariz do pai e de ter uma personalidade única porque tenho comigo um “que” da essência de todos os meus amigos. E inimigos, graças a Deus. Afinal, são eles que nos fazem criar as melhores máscaras: da coragem e da defesa.

 

Beijos, Adri

 

Música: Jorge Vercilo - Encontro das águas



Escrito por Drikaninha às 23:54
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Conversa de meninas

 

Dia desses, no vestiário feminino da academia – óbvio – presencio a seguinte discussão filosófica:

 

- Oi amiga, nadou muito?

- Ah, não muito. Eu tô cansada hoje, fiz muita lição de casa na parte da tarde.

- É? Eu não te vi na escola, onde você estava?

- Eu tava falando com o Pedro. Quer dizer, estava tentando, ele tá sempre cercado de.. de... ah, você sabe.

- Safadas?

 

E eu só prestando atenção, o negócio tava ficando bom.

 

- Eu não sei o que ele quer, ele diz que gosta de mim, mas, não larga delas.

- Olha, se eu fosse você, dava uma boa esnobada nele. Ele se acha! E eu nem acho que ele é tudo isso não. Você é linda! Deixa ele de lado...

- Você acha?

- Claro, eu fiz isso com o meu namorado e hoje a gente tá bem...

 

Aí foi demais pra mim e eu tive que me meter na conversa.

 

- Jéssica, quantos anos você tem?

- Eu tenho 9.

- E sua mãe sabe que você namora?

- Claro, ela sabe até que eu já beijei na boca.

- E você tia, quantos anos você tem?

- Eu tenho 31.

- Tuuuuuuuuuudo isso? Nossa, eu nem sei como deve ser ter 31 anos.

- Tá Jéssica, vamos voltar ao seu assunto – eu, já com sangue no zóio.

- E você acha que é bonito nessa idade você de namorico, é? Você não brinca de casinha não?

- Que? Casinha? Tiiiiiiiiiiiiiiiia, que coisa mais careta!

 

Terminei de arrumar meu óculos e achei melhor ir nadar. A conversa tava ficando séria demais pra minha idade.

 

Beijos, Adri

 

Música: Marisa Monte – O xote das meninas



Escrito por Drikaninha às 23:07
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Sentidos

 

Se eu tivesse que escolher um deles – ou definir o grau de importância – eu não saberia, nem conseguiria. Se eu tivesse que ficar sem um deles, então, seria pior ainda. Eu sou totalmente dependente dos cinco sentidos.

 

O que seria de mim sem o tato? Não poder sentir na ponta dos dedos o enrolar dos cabelos lisos – esses que eu insistentemente enrolo nas reuniões – não sentir o macio da sua pele, a temperatura da água quente que cai do chuveiro antes de jogar o corpo para dentro do Box, o toque suave do cetim, do veludo, a aspereza do asfalto minutos depois que a mão rala no chão evidenciando o tombo vergonhoso, o prazer do encaixe das teclas nos meus dedos enquanto eu digito palavras absurdas. Impossível viver sem isso.

 

O que seria de mim sem a visão? Não poder ver o despontar do dia, a imagem de São Jorge na lua, a linha do horizonte, a linha do trem, a linha da vida na palma da mão, a vida que cresce e os anos que passam bem em frente aos meus olhos, o colorido do arco-íris, as formas geométricas e caóticas da minha amada e idolatrada São Paulo, os inúmeros sorrisos, minha imagem refletida no espelho e agradecer pela generosidade do tempo. Impossível viver sem isso.

 

O que seria de mim sem o olfato? Não poder sentir o cheiro do café passando pelo filtro de papel e invadindo minhas narinas, o suave cheiro doce da baunilha no creme preferido, a doce lembrança do seu perfume ainda nas pontas dos meus dedos, o cheiro amargo do hospital, do meu travesseiro que há anos registra meus sonhos, o cheiro de casa com a sensação de porto seguro, do livro novo, o cheiro insuportável do ralo. Impossível viver sem isso.

 

O que seria de mim sem a audição? Não poder ouvir o som das minhas inúmeras bandas de cabeceira, o barulho do salto alto identificando a personalidade marcante das pessoas, o som do mar ao vivo, nas conchas, a voz na tela do cinema, meu nome no pé do ouvido – aquele que até arrepia – o barulho ensurdecedor das muitas baladas marcantes, o som insuportável dos pássaros na janela, o coro das torcidas campeãs. Impossível viver sem isso.

 

O que seria de mim sem o paladar? Esse sentido - que aliado com o olfato - faz a vida ficar doce, cítrica, agridoce. Eu sou agridoce. O que seria de mim sem o sabor do algodão doce, do poderoso café – ele de novo – do gosto amargo do seu corpo que fica na minha boca por mais tempo, das infinitas variações de queijo que existe no mundo, do sabor cambaleante do chocolate, do gosto inebriante dos vinhos, da sensação do peixe cru misturado no Shoyu deslizando na boca, a pasta de dente que impregna as papilas gustativas, as mesmas que disputam o último gole da coca-cola – no meu caso. Impossível viver sem isso.

 

Tudo isso foi pensado enquanto eu digitava, enrolava os cabelos, tomava café – muitos – via TV, lia matérias em sites e comia chocolate. Tudo ao mesmo tempo e mais ou menos nessa ordem.

 

Beijos, Adri

 

Música: Legião Urbana – Antes das seis



Escrito por Drikaninha às 22:48
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A moça do sapato feio

 

Ele é feio demais. A primeira vez que eu vi eu soltei um sonoro: CREEEEDO! Jurei por todos os meus pés – tenho vários – que jamais usaria aquilo. São coloridos, enormes, deselegantes, de material inferior e não – definitivamente não – combinam comigo.

 

Tipo moda da calça bailarina – o que era aquilo, gente? As cores tomaram tantas proporções, que depois desta moda o Pantone® teve que ser revisto. E eu tive, por baixo, umas 12.

 

Mas, assim como a lua muda, o mundo gira e a Lusitana roda, eu sempre pago a porcaria da minha língua. Igual da vez que eu jurei que não ia sair com aquele cara feeeeeeeio de doer – leia-se dar!

 

Voltando ao objeto feio de doer... Dizem que aqui no Brasil, especificamente em São Paulo, ainda é o lugar onde mais mulheres desfilam suas lindas pernocas, para cima e para baixo, sempre no saltão. E aja batata da perna a la carte purê no fim do dia, viu?

 

Pensando nisso, eu me rendi à sua feiúra. Não posso falar a marca do sapato, posso ser processada. Sabe, né? Meu blog é muito lido... Comprei um preto, com furinhos estrategicamente posicionados para a boa respiração dos meus dedos. Todo mundo olha pra ele porque ele é feio, feio de doer. Quer dizer, não dói. O bicho é tão confortável que você nem lembra que está usando. Só troco o feio pelo bonito e apertado quando chego no siviçu.

 

Acho que eu tenho uma queda para tudo que é feio. Dá menos trabalho, não machuca o pé, em geral é extremamente cômodo e dá até um ar meio cool. Pronto! Daqui a pouco eu vou achar que eu sou a Geni...

 

Beijos, Adri

 

Godoy da minha vida: estou com saudades, sua cachorra.

Vivi – amiga da Godoy – volte sempre!

Música - Buena Vista Social Club - Guantanamera



Escrito por Drikaninha às 22:40
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Amor incondicional

 

A primeira vez que eu a vi ela estava numa gaiola horrível, suja e um tanto apertada – já que o espaço dela era dividido com mais dois cachorros. Olhei para o conjunto da obra como se olha para qualquer outro objeto, sem me atentar muito. Mas, algo nela chamou a minha atenção. Suas orelhas eram grandes - grandes demais para um cachorro tão pequeno – os olhos tristes, mas espertos – espertos demais para um cachorro tão pequeno.

 

Cheguei perto e ela fez graça, num ato desesperado para chamar mesmo a minha atenção. Aposto que se ela falasse ela teria gritado: Me tira daqui! Neste momento então eu soube que era uma cachorra, uma menina ainda sem nome, sem destino, sem raça. Sem nada. Ela só tinha charme – charme demais para uma cachorra tão sem raça.

 

Voltei para casa pensando nela, cutuquei as lembranças mais doloridas da irmã – ela ainda sofre com a ausência da Pelúcia – num ato desesperado para chamar mesmo a atenção dela. Aprendi com a cachorra... Voltamos na loja e lá estava ela, naquela gaiola horrível, suja e agora um pouco mais fedida.

 

Seu alvará custou a bagatela de R$150,00 – chorados, claro. Um pouco caro - caro demais para uma cachorra tão sem pedigree. No caminho fomos pensando e inventando nomes. Depois de olharmos um pouco mais para ela, decretamos: Pipoca. O nome deve-se ao fato do pêlo dela ser claro - meio creme, meio bege, meio cor de burro quando foge – e, na época, um pouco empelotado, como se fosse mesmo umas pipocas...

 

De lá fomos direto ao veterinário. A coisa era tão miúda que cabia no meu antebraço. E essa coisa miúda tinha um pouco de tudo: pulga, fome, sujeira, nada de vacina, nem um pouco de controle e todas as faltas de obediência que um ser canino pode ter aos três meses de idade. Sua raça? Só Deus sabe. Pelo tamanho das orelhas, podemos dizer que o tataravô dela era um cocker.

 

Não foi nem um pouco fácil educá-la. Acostumar com ela transitando pela casa então, mais difícil ainda. Cada hora era um que lançava seu peso nas suas pobres patas indefesas. Ela dá trabalho, despesas, um pouco de dor de cabeça e encheção de saco. Em compensação, dá carinho, afeto, amor e companheirismo que não tem como descrever. O veterinário dela – aliás, pessoa na qual a Pipoca tem um grande apreço – diz que ela é inteligentíssima.

 

E eu, que antes dela não via a menor graça num ser peludo, de patas e com uma carreira de tetas, hoje me rendo aos seus caprichos, compro seus brinquedos e até escovo os seus dentes. Quando ela deixa, claro. O melhor de tudo isso é quando ela pára ao meu lado, me olha, vira um pouco a cabeça e – parece que – diz: Eu também te amo.

 

Beijos, Adri - e uma lambida da Pipoca.

 

P.S.: O alto índice de trabalho atualmente na minha vida, faz com que eu não apareça muito por aqui. Mas, deixe seu recado após o sinal. A casa agradece sua visita.

 

Música: Bob Marley - Three Little Birds



Escrito por Drikaninha às 19:34
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Roda mundo

 

Quanto vale sua liberdade? O que você sacrificaria por uma noite de sono perfeita? Qual o real significado de acordar, olhar no espelho e sentir com gosto a deliciosa sensação de “eu vou fazer hoje o que eu quiser”?

 

Porque será, então, que nos prendemos a empregos que não agregam nenhum conhecimento, amores vazios que nos atravessam com o olhar, pessoas que apenas sugam a nossa energia e não vem a nós em nada, nada, nada? Relações infundadas. Não há nada pior nessa vida do que uma relação unilateral. Conjunto vazio.

 

Em alguns momentos da vida amamos tanto o próximo – não que isso seja pecado – que esquecemos de um item importante no check list: o amor próprio. E aí, sem perceber, estamos dando o sangue por uma empresa que é uma Gambis Corporations S/A., aceitando assistir aquele filme no cinema que a gente odeia só pra ver a cara feliz do palhaço que diz ser seu namorado, nos forçando a tratar com bom tom e traquejo social aquele camarada que, na primeira oportunidade, puxa o nosso tapete – pouco se importando se ele é um persa.

 

Não, gente! Tá tudo errado. Pára. Vamos nos livrar dos estigmas, dos carmas - ou em português bem claro – dos encostos que teimam em se apoderar das nossas almas. No começo é horrível se livrar de tudo. Porque, vamos admitir... Infelizmente, a gente se acostuma até com as coisas ruins no nosso cotidiano rotineiro sem sal.

 

Não vai fazer falta aquele sistema “cheguei, liguei, não pensei e ops...trabalhei e não vivi”. Sem contar no “ele me ligou, atendi, ele nem ouviu o que eu falei, desliguei, ele veio aqui, me beijou, foi embora, não fez a menor diferença”. Pensa? A gente precisa mesmo de ninharias na vida? Conhecendo você como eu conheço, aposto que não. Você é muito mais que isso.

 

Ainda dá tempo de dar um giro e mudar essa vida – a minha, a sua, a nossa. Procure o plano B, faça o plano C. Chega de planejar quem você vai ser em 2010, se você vai assistir a COPA em 2014. Vamos respirar o dia de hoje, com intensidade.

 

Se dá medo? Claro! E que bom que dá medo. O medo faz parte da vida, mas, a fé precisa ser maior que o medo. Meu pai me disse isso esses dias...

 

Beijos, Adri

 

Música - Kid Abelha – Não vou ficar



Escrito por Drikaninha às 11:57
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Saudade

 

Eu sinto sempre. Isso não significa querer viver de novo o que já passou. As lembranças são partes da nossa construção de vida, como as rugas – são necessárias. A saudade dói? Às vezes. Mas, como defini-la? Será, a saudade, essa definição do dicionário on line? 

 

Saudade, lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de torná-las a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.

 

Gosto da saudade com cheiro, do cheiro gostoso que tinha a comida da minha avó. Do tempero simples da macarronada de domingo com salada de alface. Do seu sorriso acanhado, o olhar sábio, das mãos calejadas da luta cotidiana, dela dizendo que a gente era “lisinha de agradar”.

 

Gosto da saudade da dor no braço causada pela batida forte da bola de volley (vôlei?), dos jogos de rua, do som da costela batendo no chão por pular errado por cima da mula – ai como dói – das intermináveis partidas de pif paf com a gangue pré-adolescente, da dor no coraçãozinho quando se ama aos nove anos.

 

Gosto da saudade da liberdade pressuposta dos 16 anos. De sair de braços dados, sem destino, para ir até lá... no bar do Moa. Saudade da audácia débil que se tem no segundo grau e pular o muro da escola só para ficar ali, encostada no carrão branco que gelava até o cóccix quando ele virava a esquina. Saudade do despudor ingênuo do corpo dentro do shorts jeans - que na verdade era uma calça velha cortada – combinando com o top que não cobria nada.

 

Gosto da saudade das inúmeras danças sincronizadas nas matinês da vida, do ouvido surdo no outro dia causado pelo show de rock, das roupas trocadas com as amigas, da calça da Khelf que – de todas nós – era no Zé que ela ficava melhor, das muitas subidas na Mourato Coelho, da insuperável Marguerita do Barbahala.

 

Gosto da saudade do vento gelado que bate no rosto nas noites frias de Campos do Jordão, do cachecol apertando o pescoço e da sensação de dor ao respirar o ar frio. Gosto da saudade do som dos lugares que eu conheci – ou do silêncio deles. 

 

Gosto da saudade do gosto do café mal feito, improvisado numa xícara de chá, do quarto ainda bagunçado, gosto da delícia que é ouvir o barulho da gargalhada dos amigos. Gosto da saudade da desordem das várias conversas literárias nos botecos da vida, das discussões calorosas sobre a relevância de um Big Brother na cultura de massa.

 

Mas, acima de tudo, gosto da saudade presente - essa do dia a dia - de abrir um e-mail e ler “que saudade de você, galinha”. De te encontrar na rua estacionando o carro, te abraçar e dizer: “nossa, que saudade”.  Ou de atender o telefone e, antes do alô, ouvir você berrar: “Meeeeeu, sabia que eu tô com saudade”?

 

Gosto do gosto gostoso do abraço agarrado que eu dei – e recebi – em você depois de anos sem te ver. Nessas horas, percebo que a saudade a gente cura assim: com um simples e demorado abraço.

 

Beijos, Adri

 

Música - James Blunt - Wisemen



Escrito por Drikaninha às 00:19
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É tudo novo de novo

 

É inevitável. Não sei como isso começou, vai ver é coisa de grego, eles inventaram – quase – tudo mesmo. Só sei que hoje, especificamente hoje – no último dia do ano – a gente resolve lembrar tudo o que fez durante o ano todo. Vai ver por isso tanta gente corre na São Silvestre, para se livrar dos pensamentos.

 

E sem querer você se imagina em frente ao muro das lamentações, balbuciando frases que nem você entende. Sem contar que num piscar de olhos, lá vem ela, a ressaca moral...

 

Então você promete uma infinidade de promessas prometidas, jura que promete, promete que jura que vai começar aquele curso de inglês, que vai mesmo fazer dieta e se acabar na academia, que vai deixar de ser idiota, que vai dar o seu grito de liberdade, que vai fazer aquele exame, ir ao médico mais vezes, vai falar mais com os amigos, perdoar os inimigos, planeja de novo todo o caminho de Santiago, vai ler muitos livros, pagar as dívidas em dia, que vai contribuir com o meio ambiente, que esse ano você compra seu carro, que vai dar uma chance praquele cara – afinal de contas ele é tão legal – e que não vai olhar mais aquele outro – ai, mas ele é tão gostoso...

 

Depois de uma lista imensa de afazeres você, inconscientemente, sela o cântico das lamúrias evocando o nome de todos os santos que você já ouviu na vida. E eu te dou, então, duas boas notícias:

 

1° Você tem um ano inteiro pela frente para fazer tudo novo de novo.

2º 2008 é um ano bissexto. Portanto, você tem um dia a mais do ano pela frente para fazer tudo novo de novo.

 

Mas, corra Lola, corra. Mesmo com um dia a mais, o ano vai passar assim, ó.

 

A gente se vê em 2008!

 

Tim Maia – O caminho do bem

 

Beijos, Adri



Escrito por Drikaninha às 19:26
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Mens sana in corpore sano

 

Hoje joguei tanta coisa fora,

Vi o meu passado passar por mim

Cartas e fotografias gente que foi embora

A casa fica bem melhor assim...

 

Comecei a faxina do ano ontem. Adoro fazer isso, nasci com o programa 5S na derme. Idiossincrasias... Tenho mania de organização, para o desespero das pessoas que moram comigo porque, algumas vezes, jogo fora até o necessário.

 

Para mim é a lei da compensação. Entram duas calças novas, sai uma velha. Se bem que, pensar em dar aquela calça jeans deu uma dor no coração. Ela tinha uma história, como todas as outras peças, blusas, sapatos e bolsas. Mas depois, com tudo bem organizado, fica tão lindo – e a lembrança fica na memória. E não acumula pó...

 

Tem gente que tem uma mania besta de guardar tudo, Deus me livre! Você abre o guarda-roupa cai até o cartão do dia das mães feito no Pré I – Turma do Balão Mágico. Mas, quem sou eu para falar da mania do outro, né? Uma pessoa que tem mania de organização não pode julgar a mania do alheio. Ainda bem que língua não tem osso, como diz minha mãe.

 

Hoje acordei com uma música tão velha na cabeça, não sei nem de que ano ela é. Só lembro que eu ouvia quando eu era criança. Canta aí, se for capaz:

 

Rua Ramalhete - Tavito

 

Sem querer fui me lembrar

De uma rua e seus ramalhetes,

O amor anotado em bilhetes,

Daquelas tardes.


No muro do Sacré-Coeur,

De uniforme e olhar de rapina,

Nossos bailes no clube da esquina,

Quanta saudade!


Muito prazer, vamos dançar

Que eu vou falar no seu ouvido

Coisas que vão fazer você tremer dentro do vestido,

Vamos deixar tudo rolar;

E o som dos Beatles na vitrola.


Será que algum dia eles vêm aí

Cantar as canções que a gente quer ouvir?

 

E um feliz natal para todos!

 

Beijos - com gosto de panetonne - Adri



Escrito por Drikaninha às 12:30
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Alô criançada, o Bozo chegou.

 

Não lembro exatamente em que ano isso aconteceu. Eu devia ter uns 09 anos, vai. Chutando alto. Mas lembro da expectativa, dos preparativos, da empolgação e das cenas mais bizarras da nossa ida ao programa do Bozo.

 

Como qualquer criança que se preze – em termos de mulher, é claro - o importante era saber com que roupa ir ao programa, até porque, a gente ia aparecer na TV e ninguém podia fazer feio numa hora dessas. Não lembro do meu figurino, mas o da Danni era inesquecível: uma blusa azul, um shorts laranja e um tamanco de madeira que dava vontade de bater com ele na cabeça dela, de tão barulhento que o treco era. E a bicha era seca, magrela e tinha – tem até hoje – uma risada extremamente alta.

 

Aliás, um dia antes do tão esperado evento, a Hilda – senhora mãe da Danni – estava com uma barriga imensa de nove meses, prestes a parir o Danni. De tudo isso, duas coisas que a minha mãe lembra e ri até hoje: a Danni chorando na janela porque a Hilda ia para a maternidade e não poderia ajudá-la com os preparativos e de uma criança do prédio - que é melhor não citar o nome - comentando que tinha até tomado banho e cortado as unhas para ver o palhaço. Fato inédito, daí...

 

E eis que chega o dia. Dormimos mal a noite toda, acordamos cedo, colocamos uma roupa legal e lá vamos nós, todos juntos cantando “Motorista, motorista, olha a pista, não é de borracha...”. O Studio do SBT era na Vila Guilherme. Da escola até lá, o trajeto era de no máximo 30 minutos. Para nós, parecia uma longa viagem ao mundo encantado da fantasia.

 

Eu só queria uma coisa: ver o Bozo! Pouco me importava quem ia jogar a batalha naval ou se o cavalo malhado venceria a corrida. Sem contar que o calor no Studio era infernal. Durante todo o tempo que ficamos lá só ganhamos água e um danoninho. Programa de auditório é um porre. É um tal de corta, volta, grava, apaga a luz, fulano não veio etc, etc. Até que uma hora eu escuto: Atenção, o Bozo terminou de se arrumar e já vai entrar. Nego, eu nem esperei a dita terminar as orientações, saí do meu lugar e fui correndo pro corredor de acesso.

 

Lá vem a criatura, com uma roupa surreal, um sapato gigante, um nariz de bola, aquele cabelo vermelho gritante, cercado de crianças berrando, umas querendo descobrir o que tinha embaixo da roupa dele. Porque para nós, claro, ele não era um homem. Era o Bozo. Meu primeiro pensamento foi: Meu Deus, a cabeça dele é muito maior do que eu imaginava. Eu nunca tinha visto uma coisa tão medonha na minha frente.

 

Foi um misto de alegria com indignação, parecia que eu estava vendo um ser inanimado. Tomei bronca porque saí do meu lugar e voltei a ficar ao lado da Danni, que aos berros, chacoalhando o cabelo e batendo muito o tamanco de madeira no chão, expressava toda a sua vontade de participar de alguma brincadeira. No fim, quem ganhou a Caloi Ceci com cestinha branca foi a Lilian, porque ela era a menina mais linda do prédio, só pode ser. Depois de um período longo, com muitos berros, uma fome tamanha, uma vontade imensa de fazer xixi e sem poder ao menos dar uma bitoca no nariz do Bozo, fui para casa.

 

Com o passar dos anos é que eu descobri que a Vovó Mafalda era homem – e pai da outra doida lá – que o Bozo, na verdade, era representado por três atores e um deles beeeeeem chapado, diga-se de passagem. Hoje, infelizmente, não existe programa infantil bacana e eu aposto que todos com um pouco de juízo e mais de 25 anos, sabe cantar a música de abertura. E, para não perder o encanto, de vez em quando eu ainda respondo quando alguém pergunta: Que horas são? Cinco e sessenta...

 

Beijos, Adri

Música – Portishead – Fun for me



Escrito por Drikaninha às 16:01
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Dom

 

Qual o seu dom? Vamos pensar nas aptidões, aquilo que você nasceu sabendo fazer. Tenho certeza que você tem um dom especial. Eu, por exemplo, não sei ao certo se tenho um dom, digamos, palpável.  Melhor relacionar o que eu não sei fazer, a lista é grande.

 

Eu não sei bordar, pintar, tricotar, passar roupa – se é que alguém tem dom pra isso – andar de bicicleta, fazer conta de cabeça, ler cartas – é, de tarô – cozinhar, assoviar bem forte com os dois dedos indicadores – muito menos com os outros dedos – escolher plantas, fazer feira, costurar, montar um origami, entender a lógica do sudoko, fazer belos laços de fita e outras coisas que, além de dom, requer um certo traquejo e gotas de coordenação motora na veia.

 

Mas eu sei que eu tenho o dom de sentir, perceber no som do vento a consciência do estado - ou disposição – de espírito de uma pessoa querida. Tenho um amigo que diz que eu tenho o dom de apaziguar, de fazer o “meio de campo”, carinhosamente falando, de ser a própria Relações Públicas das almas aflitas. Outra diz que eu tenho aptidão para colocar ordem no caos – ou dependendo da sensibilidade da alma, colocar caos na ordem. Soube disso quando ela me disse: me ajuda, só você tem o dom para entender o que eu estou sentindo e me indicar o caminho certo. Bobagem? Não, querido. Isso é para poucos.

 

Tenho o dom da percepção, de falar em público sem o menor pudor, de fazer rir, de sobreviver e renascer sempre. Tenho o dom de ser resiliente, de escrever pura e francamente sobre os meus sentimentos, de transformar uma folha em branco em um conteúdo legível, fácil e gostoso de ler. Se você leu até aqui, sabe do que eu estou falando. É o meu dom, não abro mão. Um dia vou viver só disso...

 

Tenho pensado muito nessa opção.

 

Beijos, Adri

Música - Alex Gaudino - Destination Calabria



Escrito por Drikaninha às 15:52
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Como agitar sua tarde de sábado

 

Acorde tarde. Perceba que não há ninguém em casa.

Na geladeira, um bilhete com instruções de sobrevivência, caso você sinta fome.

Ligue para a amiga e descubra que o passeio que você tinha planejado já era.

De repente, chuva. Olhe para o sofá que grita o seu nome e... se joga.

O controle remoto é seu, só seu. Circule por todos os canais, diversas vezes.

Olhe para a sua cachorrinha, faça cara de maldade e pense em voz alta:

- Você precisa de um perfuminho!

A coitada já imaginando sua intenção diabólica corre por todo o apartamento.

Detalhe: ela odeia perfume. Corra atrás dela.

Pegue o frasco e espirre o produto no corpo da bichinha.

Correndo pelo apartamento, claro.

Depois de rir muito com o desespero da cachorra que se torce, retorce pelo apartamento, descubra que você espirrou no seu animal de estimação, um desodorizador de ambiente.

Coloque as duas mãos na cabeça e grite:

- Ai caralho, fudeu. Matei a coitada. Lá vou eu fazer o enterro em latim!

Corra atrás dela pelo apartamento. De novo.

Ela, desesperada, foge morrendo de medo de você.

Arranque sua roupa, fique só de calcinha, agarre a pessoinha, ligue o chuveiro e divida o Box do banheiro com ela. Sexy isso.

Converse com ela durante o processo do banho, ela não tem culpa da sua insanidade.

Desligue o chuveiro. Espere ela acabar com o seu banheiro.

Seque com a toalha. A dela, por favor. Ligue o secador.

Sinta no peito a dor da culpa.

E aí sim, passe o perfuminho específico para ela por todo seu lindo corpo.

Se jogue no sofá de novo, ligue a TV, olhe para a cara de piedade dela e ria muito da situação.

De recompensa, dê comida para ela e faça sua irmã passear com a belezura na rua.

 

Beijos, Adri

 

Música - Zeca Baleiro - A vida é doce



Escrito por Drikaninha às 15:47
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No princípio era o verbo...

 

Todo mundo sabe que Deus criou o mundo em seis dias e, no sétimo, cansado da labuta, ele descansou. Quer dizer, isso é o que nós lemos em Gênesis, eu prefiro atribuir tudo isso à lenda que envolve o mito. No dia que ele me chamar para eu me explicar sobre o meu livro da vida, ele vai ter que me esclarecer direitinho essa história de seis dias. Ah vai.

 

Mas, o que eu quero concluir com isso é que, como foi ele que criou o mundo, os bichos, os países, estrelas, planetas e por aí vai, obviamente ele fez tudo isso ao seu bel prazer. Você acha que ele é bobo? Contudo, todavia, porém, para a disputa ficar mais engraçada, tinha que ter o raio do capeta pra discordar com ele em algumas coisinhas e inventar coisas bem macabras. Quer ver?

 

Indubitavelmente, Deus é Brasileiro. Nasceu em Bonito, adora o calor, passa as férias em Búzios e torce para o São Paulo. Deus é chique, bem. O capeta por sua vez, só pode ser Corinthiano, fundou a primeira favela no morro, adora Ocian e fez de uma vez só todas as siglas e partidos políticos do nosso Brasil varonil. Porque o Maluf, minha gente, só pode ser coisa do demo.

 

Pode até ser que o blues tenha sido inventado pelo capeta, sabe-se que a música era conhecida como “a música do diabo”. Porém, um dia, sem nada para fazer e a fim de ouvir uma linda voz, Deus criou a Nina Simone. O filho da puta do demo ficou com tanta raiva que fez a coitada sofrer muito, só porque ela era negra. Porque o racismo, minha gente, só pode ser coisa do demo.

 

Se a gente for pensar em música, a lista é grande, viu? Deus cria uma coisa boa, o cão vem e cria em seguida uma matéria-prima absurda. Você acha que pagode é coisa de quem? Deus ficou tão irritado quando o Los Hermanos incendiou o mundo com “Ana Júlia”, que só para mostrar sua maioridade, fez os cabras criarem “O Vento, O Vencedor e Cara Estranho”. Ele se sentiu honrado. Mas, tenho que admitir, quando é para se vingar, o capeta não perdoa. A última dele contra Deus foi a criação da banda Calypso. Porque “demorô, demorô, isso é calypso”, minha gente, só pode ser coisa do demo.

 

Li em algum lugar, que quando o Chico Buarque nasceu, o capeta era só fogo pelas ventas. Quando Chico terminou a música “Construção”, o capeta ficou uma semana sem falar com Deus. Nem apareceu no campinho pra bater uma bola. Porque Chico Buarque minha gente, só pode ser coisa do divino! 

 

Os dois brigam o dia todo. Deus inventa o chocolate, o capeta manda as espinhas na cara do povo. Um dia, com muita sede, Deus criou a coca-cola e jogou a fórmula fora e PÁÁÁÁ... O capeta lançou a celulite. Porque a celulite, minha gente, só pode ser coisa daquele moleque mal criado.

 

Outro item que gera grandes pegas? Moda! O capeta cutuca Deus porque sabe que ele é brasileiro, pode ver a quantidade de biquínis minúsculos na praia e – agora a granel – sendo exportado. Dessa parte eu não reclamo muito não, viu. Deus criou a seda, o capeta com certeza criou o plush. Quem, minha gente, fica bonito dentro de qualquer coisa confeccionada em plush? Esses tempos aí ele andou bem mal humorado e criou várias peças femininas em balonê. Nem a Nina Lemos ficou bem com aquilo. Por favor. Um item que Deus mandou bem em vários moldes é a calça jeans. Ô coisa boa de vestir, meu Deus. Eu gosto tanto do tecido que tenho até uma bota, um mule e uma bolsa jeans.

 

O que o demo fez? Inventou a calça jeans com cintura alta, muito alta. Vi uma essas dias que o último botão era embaixo dos peitos. Ah mano... pára! Porque calça jeans com cintura alta, nem a Fernanda Lima, minha gente.

 

Música - Paolo Vallesi - La Forza della vita



Escrito por Drikaninha às 14:25
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Brasileiro é apaixonado por carro.